Dicas e indicações de materiais sobre autismo (TEA) para familiares, profissionais e todo mundo que quiser

Com a chegada das pessoas com autismo às escolas, tratamentos e espaços diversos, profissionais de várias áreas se vêem perdidos e necessitando de apoio. Eu sempre recebo mensagens pedindo indicações de materiais e dicas iniciais para trabalhar com esse público.
É claro que o Autismo é um transtorno sobre o qual temos muito o que aprender. Mas socializar o que já conhecemos é o primeiro passo para ajudar a todos (profissionais, famílias, pessoas com TEA). Por isso preparei este post.
Quem quiser contribuir com ele adicionando ideias ou materiais, é só me enviar e eu incluo aqui. Espero ajudar – e aprender também!

O que é Transtorno do Espectro Autista?

O diagnóstico atual do TEA é estabelecido a partir de dois aspectos centrais:

  1. I) Déficits persistentes na comunicação e na interação social em múltiplos contextos, como dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais; déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social; problemas para desenvolver, manter e compreender relacionamentos;
  2. II) Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, exemplificados por movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos; insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento; hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais.

Uma peculiaridade importante do TEA é que os indivíduos manifestam os sintomas de maneiras radicalmente diferentes entre si, e para organizar seus diagnósticos, há três níveis possíveis: exigindo apoio muito substancial; exigindo apoio substancial ou exigindo apoio.

Dados da literatura ressaltam também as seguintes características:

☹ Dificuldades para compreender ironias, expressões faciais e linguagem corporal;

☹ Déficits na expressão dos sentimentos e opiniões;

☹ Dificuldades para identificar mentiras ou mentir e para compreender o ponto de vista alheio;

☹ Dificuldade para leitura das regras sociais (especialmente as mais sutis e que nunca são explicadas claramente);

☹ Olhar nos olhos pouco frequente ou duradouro;

☹ Ansiedade ou estresse exacerbados em situações de quebra de rotina/sequência;

☹ Comportamento verbal pode ser prejudicado e, em alguns casos, bastante racional e formal. Às vezes as respostas são monossilábicas e conversas limitadas a objetivos comunicativos (dificuldades com bate-papos);

☹ Insistência no mesmo assunto por longos períodos de tempo;

As combinações entre as possíveis características do TEA e ainda, entre características individuais são tão grandes que, apesar de conhecermos estes aspectos acima, há somente uma indicação certeira: conhecer a pessoa em si. Ou, como dizem alguns pais, “conhecer o seu autista”.

Dicas iniciais para quem está começando o trabalho com pessoas com TEA:

☺Uma possibilidade muita interessante apontada pela Análise do Comportamento é que independentemente do diagnóstico, todas as crianças têm em seu repertório:déficits(comportamentos que deveriam estar ocorrendo naquela fase do desenvolvimento em comparação com pares, mas não estão); excessos (comportamentos que ocorrem em frequência alta ou topografia inadequada e atrapalham seu desenvolvimento) e reservas comportamentais(comportamentos adequados, que auxiliam seu desenvolvimento; aquilo que ele já faz). Começar olhando para as crianças com este viés pode facilitar o futuro processo de intervenção. Particularmente penso que a Análise Aplicada do Comportamento (ou ABA) é uma abordagem com contribuições muito importantes nas intervenções de pessoas com TEA (de todas as pessoas na verdade, mas como estamos falando sobre TEA especificamente…), e felizmente há cada vez mais materiais e cursos na área (algumas indicações seguem no próximo tópico). Indica-se pesquisar sobre a abordagem e também sobre desenvolvimento humano (ou o que é interessante que as pessoas consigam fazer em cada fase da vida).

☺ Investir no ensino de maneira mais clara e lógica, menos “intuitiva” sobre diversos assuntos. Utilizar linguagem clara, frases rápidas e sem muitas metáforas ou figuras de linguagem complexas (isso vai sendo ensinado aos poucos com o tempo);

☺ Tratamento multidisciplinar com psicoterapia, treinamento de pais, intervenções inclusivas nas escolas, fonoterapia, terapia ocupacional, psicofarmacologia, inclusão em esportes;

☺ Preparar para mudanças de rotinas com antecedência, quando possível; trabalho sobre desapego de sequência e rotina gradualmente;

☺ Organização e explicação clara sobre as regras em cada ambiente e as consequências previstas para cada uma. Afinamento de discurso entre adultos envolvidos no processo educativo;

☺ A linguagem é um aspecto fundamental do desenvolvimento (inclusive muitas vezes há a emissão de comportamentos inadequados devido à falta de repertório para expressar necessidades, sentimentos, etc). O uso de comunicação alternativa definitiva ou temporariamente pode auxiliar imensamente neste aspecto (materiais indicados no próximo item). Especialmente indicado para organização da rotina em atendimentos, na escola, em casa, etc.

Materiais específicos sobre TEA

  • Página do LAHMIEI (UFSCAR). O laboratório de Aprendizagem Humana, Multimídia interativa e Ensino Informatizado, que fica na Federal de São Carlos, desenvolve pesquisas na área de Análise do Comportamento e Autismo. Além disso, tem o curso de especialização nessa área (super recomendo!): http://www.lahmiei.ufscar.br/
  • Página do GIAAC (Grupo de Intervenção e Avaliação em Análise do Comportamento) que sempre divulga textos, cursos, formações, e oferece intervenções na cidade de Bauru:https://www.facebook.com/giaacbauru/?fref=ts
  • Site da Assistiva (Tecnologia e educação) explicando o que são as comunicações alternativas, como surgiram e como funcionam. Tem ainda explicações básicas sobre o que é AEE, sala de recursos e etc: http://www.assistiva.com.br/ca.html
  • “Lagarta Vira Pupa”: blog para compartilhamento de informações sobre ter filhos com TEA (além do relato de experiências há boas ideias de intervenções e adaptações)http://lagartavirapupa.com.br/
  • “Ação inclusiva”: página de uma advogada e mãe de criança autista especializada nos direitos dessa população específica. Disponível em:http://www.acaoinclusiva.com.br/
  • “Minha rotina especial”: site sobre aplicativo disponível para celulares e tablets que ajuda familiares a organizarem a rotina da pessoa com TEA (ainda não conheci muito bem, mas achei a ideia interessante) http://www.minharotina.com.br/
  • “Just Real Moms”: site voltado para troca de informações sobre temas relacionados ao desenvolvimento de crianças com textos em português (ótimos textos com dicas para desfralde, melhora do sono, etc) https://www.facebook.com/JustRealMoms/?fref=ts
  • “ABA fora da mesinha”: site com informações e dicas para tratamento de pessoas com TEA a partir da perspectiva analítico comportamental.http://abaforadamesinha.com/
  • Kit com informações importantes para a família após o diagnóstico (publicado originalmente pela Autism Speaks e traduzido)

http://www.portalinclusivo.ce.gov.br/phocadownload/publicacoesdeficiente/manualparaasfamiliasautismo.pdf

  • “Guia de Sobrevivência para Portadores de Síndrome de Asperger”: o guia, disponível online, foi escrito em 1997 por Marc Segar, mas a versão traduzida para o português e adaptada com questões da cultura brasileira só foi disponibilizada onze anos depois. Ele dá dicas gerais sobre como interpretar o mundo de maneira mais compreensível para quem tem TEA – e fala sobre sexualidade também. Há informações desatualizadas e adaptações temporais precisam ser consideradas. Acesso:http://www.afaga.com.br/biblioteca/sobrevivencia_asperger.pdf
  • “Autismo-Asperger e Sexualidade: puberdade e além”: o livro foi escrito em 2002 por Mary e Jerry Newport, mas está disponível somente na versão em inglês com o título “Autism-Asperger’s & sexuality – puberty and beyond”. Eles falam sobre tópicos que precisam ser “desvendados” por adolescentes com TEA; dentre eles relacionamentos de amizade e amor.
  • “Cuidando de mim mesmo”: o manual escrito por Wrobel é voltado para pais de crianças e adolescentes com TEA e dá dicas sobre como ensinar autocuidados por meio de estratégias como comandos verbais de simples compreensão e ideias de atividades lúdicas a serem aplicadas. Os tópicos tratados pela autora são: higiene, saúde, crescimento e desenvolvimento, menstruação, toque, segurança pessoal e masturbação. Disponível em inglês com o nome “Taking care of myself”.
  • “Por onde saem os bebês?”: vídeo delicado e explicativo sobre como nascem os bebês para utilizar com crianças e adolescentes. Disponível em:https://vimeo.com/90358933
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